UNESCO: Apesar da violência no Norte do Mali, patrimônio cultural de Timbuktu é reconstruído

O símbolo histórico foi destruído por grupos armados e reconstruído pelo povo malinês em meio a uma onda de combates que têm forçado centenas de pessoas a fugir para a Mauritânia.

Timbuktu, patrimônio da humanidade. Foto: UNESCO/F. Bandarin

Timbuktu, patrimônio da humanidade. Foto: UNESCO/F. Bandarin

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) saudou o povo de Timbuktu pela reconstrução de parte do patrimônio cultural destruído por grupos armados, apesar dos relatos da agência de refugiados da ONU sobre uma onda de combates no norte do Mali que têm forçado centenas de pessoas a fugir para a Mauritânia.

Quase 400 pessoas fugindo de uma nova escalada de combates no norte do Mali buscaram refúgio na Mauritânia ao longo dos últimos meses, disse a agência. Os recém-chegados se juntaram a cerca de 50 mil outros refugiados do Mali no acampamento de Mbera, localizado 50 km dentro da Mauritânia, onde as temperaturas diurnas rotineiramente atingem 45 graus.

Grande parte do território do norte do Mali é reivindicada por diferentes grupos rebeldes, mas está sob o controle de fato do Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA). A área tem sido cenário de uma nova espiral de hostilidades, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

De acordo com a UNESCO, os extremistas infligiram danos significativos ao patrimônio cultural de Timbuktu em 2012 e 2013, incluindo a destruição de 14 dos 16 mausoléus que tinham considerados Patrimônio Mundial.

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, prestou homenagem aos habitantes e pedreiros de Timbuktu, cuja mobilização e habilidades desempenharam um papel crucial na reconstrução dos mausoléus. Ela declarou que o trabalho foi uma “lição de tolerância, de diálogo e de paz”, e “uma resposta para todos os extremistas cujo eco pode ser ouvido bem além das fronteiras do Mali”.