ONU condena ataque terrorista ao jornal ‘Charlie Hebdo’ em Paris

Ban Ki-moon pediu união “contra as forças de divisão e ódio”; “A comunidade global não pode permitir que os extremistas silenciem o livre fluxo de ideias e opiniões”, disse a chefe da UNESCO, Irina Bokova. Já o chefe de direitos humanos pediu que “busquemos prender e punir os responsáveis diretos pela execução, planejamento ou os cúmplices de crimes específicos, não atribuindo a culpa a um grupo mais amplo”.

Foto: Site da UNESCO

Foto: Site da UNESCO

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou nesta quarta-feira (7) um ataque terrorista ocorrido no mesmo dia contra o jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. Ban classificou o atentado como “desprezível”, dizendo ter confiança de que as autoridades farão “tudo ao seu alcance” para levar os criminosos à justiça rapidamente.

“Quero expressar minha indignação com o ataque desprezível de hoje contra o jornal francês Charlie Hebdo. Foi um crime horrendo, injustificável e a sangue frio. Foi também um ataque direto a um dos pilares da democracia – aos meios de comunicação e à liberdade de expressão”, disse Ban.

Segundo relatos da imprensa, três homens invadiram o escritório do jornal de humor, disparando contra toda a redação. Os primeiros relatos indicam que 12 pessoas morreram, a maioria integrantes da redação do jornal, mas também policiais.

“Eu estendo minhas mais profundas condolências às famílias e os meus melhores desejos a todos os feridos. Estamos com o governo e o povo da França”, acrescentou o chefe da ONU.

“Este ataque horrível pretende dividir. Não podemos cair nessa armadilha”, declarou Ban. “Este é um momento de solidariedade. Em todo o mundo, temos de estar fortes pela liberdade de expressão e pela tolerância e nos posicionar contra as forças de divisão e ódio.”

‘É um ataque aos meios de comunicação e à liberdade de expressão’

A UNESCO também condenou nesta quarta-feira (7) o ataque. “Estou horrorizada com este ataque chocante contra o jornal satírico Charlie Hebdo”, afirmou a diretora-geral da agência da ONU, Irina Bokova. “Meu coração está com as famílias das vítimas e os que foram feridos.”

A UNESCO é a agência da ONU responsável, entre outros temas, por defender a liberdade de expressão em todo o mundo.

“Isso é mais do que uma tragédia pessoal”, acrescentou Bokova. “É um ataque aos meios de comunicação e à liberdade de expressão. A comunidade global não pode permitir que os extremistas silenciem o livre fluxo de ideias e opiniões. Temos de trabalhar em conjunto para trazer os responsáveis à justiça e permanecer unidos por uma imprensa livre e independente.”

Chefe de direitos humanos da ONU lamenta ataque ‘terrível e cruel’

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, também condenou veementemente o ataque “terrível e cruel” contra os trabalhadores da mídia e policiais em Paris. Ele exortou qualquer pessoa que tenha informações que possam ajudar a localizar os indivíduos que planejaram e executaram o “crime hediondo” para “trazê-las imediatamente à atenção do autoridades francesas, antes que outras vidas sejam perdidas”.

“Eu ofereço minhas sinceras condolências ao povo da França, especialmente às famílias, amigos e colegas dos que foram fuzilados a sangue frio em seu escritório, e àqueles que se encontram em estado grave no hospital”, disse Al Hussein.

“A liberdade de expressão e de opinião são fundamentais para qualquer sociedade democrática. Aqueles que tentam dividir as comunidades em razão da religião, etnia ou qualquer outro motivo não devem ser autorizados a ter sucesso. O Estado de Direito deve nos unir firmemente contra tais atos terroristas”, acrescentou ele.

O alto comissário acrescentou que o Estado de Direito também requer que “busquemos prender e punir os responsáveis diretos pela execução, planejamento ou os cúmplices de crimes específicos, não atribuindo a culpa a um grupo mais amplo”.

“Se for permitido que este ataque alimente a discriminação e o preconceito, ele retornará ao controle direto dos extremistas, cujo objetivo claro é dividir as religiões e sociedades. Com a xenofobia e os sentimentos anti-imigrantes já em ascensão na Europa, estou muito preocupado que este ato calculado horrível seja explorado por extremistas de todos os tipos”, ressaltou.

Conselho de Segurança: ataque ‘bárbaro e covarde’

Os membros do Conselho de Segurança da ONU também condenaram nos termos mais fortes o ataque terrorista “bárbaro e covarde” contra a sede do jornal.

“Os membros do Conselho condenaram veementemente este ato terrorista intolerável cujo alvo foram jornalistas e um jornal. Os membros do Conselho de Segurança expressaram sua profunda solidariedade e condolências às famílias das vítimas, bem como ao Governo da França”, afirmou o órgão por meio de um comunicado.

Os membros do Conselho destacaram a necessidade de levar os autores dos atos à justiça. “Os membros do Conselho de Segurança reafirmaram a necessidade de combater por todos os meios, em conformidade com a Carta das Nações Unidas, as ameaças à paz e segurança internacionais causadas por atos de terrorismo, e que os atos de terrorismo são criminosos e injustificáveis, independentemente da sua motivação, onde, quando e quem os cometeu”, conclui a nota.

‘É fundamental reiterar a importância vital de uma imprensa livre nas sociedades democráticas’

O relator especial das Nações Unidas sobre a liberdade de opinião e de expressão, David Kaye, também condenou “nos termos mais fortes possíveis” o ataque.

“O ataque de hoje é um dos mais graves ataques contra jornalistas e uma imprensa livre na história recente”, disse o especialista em direitos humanos. “É fundamental, em um momento como este, reiterar a importância vital de uma imprensa livre nas sociedades democráticas.”

“Haverá muitos pedindo que os humoristas, em particular, tenham cautela em sua expressão”, observou Kaye. “Exorto o contrário: que todos aqueles com alguma capacidade para conter essa violência o façam agora e em termos claros e absolutos.”

“Chocado com a violência exposta hoje, expresso a minha solidariedade com os jornalistas, humoristas e artistas sob ameaça”, disse o especialista. “Estou ansioso, não só para a responsabilização por esta violência horrível, mas também para ouvir todas as vozes de todo o espectro político condenarem [os atos] de forma inequívoca.”

O relator especial estendeu suas condolências às famílias das vítimas e ao povo da França.