UNESCO e Juventus F.C. lançam relatório sobre o combate à discriminação e ao racismo no futebol

A agência da ONU divulgou seu primeiro estudo sobre práticas e esforços que podem ajudar a eliminar o preconceito, o racismo e a xenofobia das arquibancadas e dos campos de futebol.

Para a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, os campos de futebol devem ser construídos com os "valores profundos do fair play ('jogo limpo'), da igualdade e do respeito mútuo". Foto: ONU / David Mutua

Para a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, os campos de futebol devem ser construídos com os “valores profundos do fair play (‘jogo limpo’), da igualdade e do respeito mútuo”. Foto: ONU/David Mutua

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) divulgou, no último final de semana (28 e 29), seu primeiro relatório sobre práticas e esforços para combater a discriminação e o racismo no futebol. Realizada em parceria com o time italiano Juventus, a pesquisa “Cor? Que cor?” contou com uma equipe de especialistas internacionais, pesquisadores e gerentes de equipes.

No documento, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, afirma que o esporte oferece uma plataforma única para promover os valores do diálogo e da compreensão interculturais, bem como a igualdade de gênero e a inclusão social. Porém, “nós já vimos a troca de provocações raciais entre atletas, junto com insultos das torcidas, que são baseados em origens raciais, étnicas ou culturais”, alertou.

O relatório faz um balanço do que já foi feito e do que está sendo realizado para eliminar “visões inaceitáveis, racistas, xenofóbicas e intolerantes” da prática do futebol. A pesquisa conclui que a luta contra a discriminação nos campos e nas arquibancadas deve empreender esforços combinados, sistemáticos e duradouros de todas as partes. Segundo o documento, o racismo “não vai desaparecer num passe de mágica”, mas sim, através de ações coordenadas.

A UNESCO tem trabalhado junto a clubes de futebol para promover a inclusão de cláusulas antidiscriminação e antirracismo nos contratos dos jogadores. Desde 2009, a agência tem estabelecido parcerias com outros times, como o Barcelona e o Málaga, da Espanha, o Ruby Shenzhen, da China, e Al Hilal, da Arábia Saudita, ressaltando o papel das associações futebolísticas na propagação das mensagens de tolerância, respeito e inclusão.