A educação física estimula uma atitude positiva em relação à atividade física, reduz as chances de jovens se engajarem em comportamentos de risco e impacta de forma positiva no desempenho acadêmico, além de fornecer uma plataforma para uma inclusão social mais ampla.

UNESCO pede que governos revejam sua política de incentivo a educação física, para reduzir às mortes relacionadas à inatividade. Foto: Flickr/Leonardo Allevato (Creative Commons)
Em todo o mundo, crianças e adultos estão cada vez mais fisicamente inativos, o que tem sérias consequências para sua saúde, expectativa de vida e capacidade de desempenho na sala de aula, na sociedade e no trabalho. Em uma nova publicação, “Quality Physical Education, Guidelines for Policy Makers” (em breve, disponível em português), a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) urge governos e planejadores educacionais a reverter essa tendência, descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia que contribui para a morte de 3,2 milhões de pessoas a cada ano, mais do que o dobro das mortes causadas pela aids.
As diretrizes serão lançadas durante a reunião do Comitê Intergovernamental da UNESCO para a Educação Física e o Esporte (CIGEPS) em Lausanne, Suíça, entre 28 a 30 de janeiro. A UNESCO pede aos governos que revertam o declínio dos investimentos em educação física que tem sido observado nos últimos anos em várias partes do mundo, inclusive em alguns dos países mais ricos. De acordo com fontes europeias, por exemplo, a alocação de fundos e de tempo para esta atividade nas escolas tem diminuído progressivamente em mais da metade do continente, e na América do Norte as condições não são melhores.
A nova publicação, produzida em parceria com várias organizações internacionais e intergovernamentais, destaca os benefícios de se investir em educação física, em comparação ao custo da falta de investimento nesta atividade.
“Os riscos são altos”, ressalta a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. “O investimento público na educação física é largamente compensado pelos altos dividendos na economia em saúde e em objetivos educacionais. A participação na educação física de qualidade tem demonstrado estimular uma atitude positiva em relação à atividade física, reduzir as chances de jovens se engajarem em comportamentos de risco e impactar de forma positiva no desempenho acadêmico, além de fornecer uma plataforma para uma inclusão social mais ampla”.
As recomendações aos gestores de políticas e aos educadores são acompanhadas por estudos de caso sobre programas, frequentemente conduzidos por organizações não governamentais. Histórias de sucesso na África, nas Américas do Norte e Latina, na Ásia e na Europa ilustram o que pode ser realizado por meio da educação física de qualidade: jovens aprendem como planejar e monitorar o progresso no alcance de um objetivo estabelecido por eles mesmos, com um impacto direto em sua autoestima, em suas habilidades sociais e em sua capacidade de desempenho na sala de aula.