Desde o início de outubro, ao menos duas importantes mesquitas líbias foram saqueadas e danificadas por grupos armados, informou a UNESCO, que pediu às partes para salvaguardar sua herança cultural e religiosa.

Interior da mesquita de Ahmed Pasha Karamanli na capital da Líbia, Trípoli. Foto: UNESCO/Abdul-Jawad
Depois da Síria e do Iraque, a Líbia entra no mapa de países em conflito que veem o seu patrimônio histórico e cultural ser destruído pela atual crise. Desde o início de outubro, ao menos duas importantes mesquitas líbias foram saqueadas e danificadas por grupos armados, informou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Comunicação (UNESCO) ao solicitar a todas as partes envolvidas para salvaguardar sua herança cultural e religiosa.
No último dia 7 de outubro, homens armados vandalizaram e saquearam a mesquita de Karamanli, um dos santuários mais bonitos e famosos localizado perto da capital, Trípoli. Durante o ataque, foram removidas cerâmicas, decoração de mármore e danificado seriamente o piso. Alguns dias mais tarde, a histórica mesquita de Othman Pasha Madrassa também sofreu pilhagem e danos, enquanto um grupo de voluntários conseguiu deter o ataque à mesquita de Darghout.
“Condenamos firmemente os recentes ataques ao patrimônio cultural e religioso da cidade antiga de Trípoli. A pilhagem e o tráfico ilício de objetos culturais apenas abrirão feridas mais profundas na sociedade líbia, que busca voltar à normalidade”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, adicionando que parabeniza aos cidadãos e voluntários que protegeram a mesquita de Darghout.
Segundo Bokova, os ataques não são incidentes isolados, mas acontecem de forma repetida em um contexto global para ameaçar o tecido social, bem como alimentar a violência e divisão da sociedade. Para prevenir novos ataques, a UNESCO pediu aos parceiros nacionais e internacionais que “reforcem as ações e vigilância para proteger o patrimônio líbio” e reafirmou o seu compromisso com as autoridades do país para tomar medidas de emergência de proteção contra novos ataques.
Nas últimas semanas, a Líbia vive a pior situação de violência desde 2011. Os combates entre grupos rivais já forçaram cerca de 290 mil pessoas a abandonar suas casas.