A mini-campanha de comunicação promove o uso de preservativos masculinos e femininos durante o carnaval. A iniciativa ressalta a dupla proteção dos contraceptivos – que servem para prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o HIV e evitar a gravidez não planejada.

Equipe do UNFPA Brasil na campanha de comunicação pela prevenção ao HIV/Aids no Carnaval. Foto: UNFPA
Com o carnaval chegando, milhares de pessoas já celebram em blocos de rua das principais cidades do país. Este ano, o Fundo de População da ONU (UNFPA) se junta aos foliões e folionas para lembrar que é possível curtir o carnaval sem esquecer-se dos cuidados com a saúde sexual e reprodutiva. A partir deste sábado (30), a agência da ONU promove uma mini-campanha de comunicação para incentivar o uso de preservativos masculinos e femininos durante o carnaval. A iniciativa ressalta a dupla proteção dos contraceptivos – que servem tanto para prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o HIV quanto para evitar gravidezes não planejadas.
Com o lema “Leve na sua Fantasia”, a ação vai durar 12 dias e focará principalmente nas pessoas jovens, em especial mulheres e meninas que estão em situação mais vulnerável.
“No Brasil e em outros lugares que celebram a festa há muitos “filhos do carnaval” que nascem a cada ano. Mas algumas dessas gestações não são planejadas e poderiam ter sido adiadas se as mães em questão tivessem um contraceptivo à mão. O risco de contrair DST ou HIV também é maior em grandes eventos. As pessoas tendem a esquecer de levar preservativos com elas, e nem sempre é fácil encontrar camisinhas durante feriados prolongados como este”, disse o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, ao explicar a campanha.
Equipe do UNFPA Brasil na campanha de comunicação pela prevenção ao HIV/Aids no Carnaval
Nadal se juntou à equipe do UNFPA em uma sessão de fotos à fantasia, que serão as primeiras a serem utilizadas na campanha para levar a mensagem e estimular a participação do público. Vestindo adereços de carnaval, os funcionários do UNFPA posaram segurando preservativos masculinos e femininos.
“Queremos que as pessoas incluam preservativos em suas fantasias, seja levando no bolso, seja pendurado em brincos, colares e pulseiras. A mensagem é ‘não esqueça a camisinha durante o carnaval’”, disse um membro da equipe do UNFPA. Equipes de outras agências das Nações Unidas que dividem com o Fundo a Casa da ONU em Brasília e o Escritório Compartilhado em Salvador – UNAIDS, a ONU Mulheres, PNUMA, PNUD e UNICEF-, também aderiram e tiraram fotos engraçadas segurando preservativos. A expectativa é que outras pessoas se sintam motivadas a postar fotos fantasiadas segurando preservativos, ampliando o alcance da ação.
O mini-campanha do UNFPA também irá divulgar e promover a Campanha de Prevenção a Aids – Carnaval 2016, liderada pelo Ministério da Saúde. A campanha, cujo slogan é “Deixe a Camisinha Entrar na Festa”, segue a mesma linha de promover o uso de preservativos. A campanha oficial foi lançada no último dia 28 na sede da Mangueira, no Rio de Janeiro; Jaime Nadal e a representante auxiliar do UNFPA, Fernanda Lopes, participaram do evento. Pode-se acompanhar a campanha no Facebook https://www.facebook.com/unfpabrasill ou através das hashtags:#LeveNaSuaFantasia;#Carnaval2016;#CamisinhaTáNaFesta.
HIV e gravidez no Brasil
No Brasil, havia 734 mil pessoas vivendo com HIV em 2014, com 44 mil novas infecções ao ano. Apesar da queda acentuada na taxa de mortalidade associada à Aids nas últimas duas décadas, resultado da política de acesso universal ao tratamento gratuito para pessoas vivendo com HIV nos serviços especializados que compõe o Sistema Único de Saúde (SUS), há sinais preocupantes de crescimento da epidemia em algumas populações, principalmente entre homens jovens que fazem sexo com outros homens. Ainda que a maioria das pessoas saibam que as DST e aids podem ser prevenidas com o uso de preservativos, 45% da população sexualmente ativa do país não usou proteção nas relações sexuais casuais nos 12 meses anteriores, segundo pesquisa do Ministério da Saúde.
Com relação à gravidez indesejada, apesar do uso elevado de contraceptivos no Brasil ainda há uma demanda não atendida por planejamento reprodutivo: de acordo com um estudo da Divisão de População das Nações Unidas, 7,7% das mulheres brasileiras com idade entre 15 e 49 anos que são casadas ou vivem em união estável gostariam de evitar ou retardar a gravidez, mas não tem acesso aos meios para isso.