Fundo de População das Nações Unidas esteve no evento que discutiu o papel dos obstetrizes no parto humanizado e na garantia da dignidade das mulheres durante a gestação, no parto e no pós-parto.
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) participou do VII Encontro de Obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP) nestas quinta e sexta-feira (12 e 13). O evento celebrou o aniversário do curso voltado para a formação de obstetrizes, retomado há dez anos na instituição de ensino. Palestras e debates sobre as transformações e desafios da profissão ao longo dos anos integraram as atividades.
Para a representante da UNFPA, Anna Cunha, os profissionais de obstetrícia são fundamentais para a redução das mortes maternas e para garantir que a gestação, o parto e o pós-parto sejam experiências de dignidade e vida e não, de violência. “As Nações Unidas sabem que investir em profissionais de saúdes é um aspecto fundamental para a defesa dos direitos humanos e a concretização de uma sociedade mais igualitária”, afirmou durante a abertura do Encontro.
A representante da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Estela Pedreira, lembrou que o curso da USP foi originalmente interrompido em 1972. A partir daí, o parto “passou por um domínio médico e patológico, e os cuidados com a mulher foram esquecidos. É preciso recuperá-los”, explicou. Atualmente, a preocupação com os direitos e bem-estar das mulheres retorna aos debates sobre saúde pública.
Para Maria Teresa Massari, do Ministério da Saúde, o movimento de mulheres de classe média e com planos de saúde que procuram o Sistema Único de Saúde (SUS) para ter um parto humanizado é uma vitória. O secretário municipal de Saúde da capital paulista, Alexandre Padilha, anunciou que a Prefeitura realizará o primeiro concurso público para obstetrizes na cidade.
A UNFPA ressaltou que um dos marcos globais para as discussões sobre reprodução foi a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, no Cairo, realizada em 1994. Desde então, temas relativos à saúde sexual e aos direitos reprodutivos foram reintroduzidos nas iniciativas e decisões sobre populações, pelo mundo todo. De acordo com dados da agência da ONU, são registradas mais de 5 milhões de gravidezes por ano no Brasil. Estima-se que, no país, cerca de 70 mães morram no parto a cada 100 mil nascimentos.
Estado da Obstetrícia no Mundo
Na ocasião, o resumo executivo do Relatório Global “O Estado da Obstetrícia no Mundo: Um Caminho Universal. Um Direito da Mulher à Saúde (SoWMy 2014)” foi apresentado. Inspirada na iniciativa Every Woman, Every Child (Cada Mulher, Cada Criança) do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a pesquisa tem como principal objetivo fornecer evidências sobre o estado da obstetrícia no mundo em 2014.
O documento destaca que investir na capacitação de obstetrizes, com implementação de serviços na comunidade, poderia render um retorno 16 vezes maior sobre o investimento em termos de vidas salvas e economia de custos com cesáreas. Obstetrizes qualificadas e regulamentadas podem fornecer 87% do atendimento básico necessário a mulheres e recém-nascidos, possibilitando que médicos e outros profissionais da área dediquem mais tempo a atividades relacionadas à prevenção de mortalidade materna e neonatal prevenível.
