UNFPA vai auxiliar Bahia e Salvador em projetos sobre juventude, discriminação e saúde reprodutiva

Fundo de População das Nações Unidas possui um histórico positivo de colaborações com o estado e sua capital. Capacitação de jovens, luta contra a discriminação racial e promoção da saúde reprodutiva e sexual das mulheres serão prioridades de parcerias futuras.

Combate à discriminação racial e às desigualdades de gênero será foco das próximas parcerias entre o UNFPA e os governos da Bahia e de Salvador. Foto: Marcha Mundial das Mulheres Bahia/Facebook (via EBC)

Combate à discriminação racial e às desigualdades de gênero será foco das próximas parcerias entre o UNFPA e os governos da Bahia e de Salvador. Foto: Marcha Mundial das Mulheres Bahia/Facebook (via EBC)

Na semana passada (15 e 16), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil se reuniu com secretários e representantes dos governos da Bahia e de Salvador para debater futuras parcerias. Projetos conjuntos devem priorizar os jovens, a saúde reprodutiva e sexual das mulheres e a luta contra as desigualdades de gênero e raça.

Em encontro com a equipe da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), o representante da agência das Nações Unidas, Jaime Nadal, destacou que a Bahia, felizmente, não é mais o estado com o maior índice de mortes maternas, um dos dados que motivou a parceria do UNFPA com as autoridades estaduais em 2008.

Apesar dos avanços, Nadal alertou que ainda há muito a ser feito no campo da saúde sexual e reprodutiva para que não haja mais mortes entre as gestantes da Bahia, que são jovens e negras em sua maioria.

O representante do UNFPA ressaltou ainda a importância de preservar os ganhos sociais do Brasil relacionados à promoção da igualdade racial. Para Nadal, é necessário investir na juventude negra. O especialista lamentou as perdas para o país provocadas pelas violações de direitos por que passam esses jovens.

Para a chefe da SEPROMI, Vera Lúcia Barbosa, as possíveis parcerias com o UNFPA serão fundamentais para o organismo estadual, principalmente porque a Bahia deu início, no ano passado, à Década Estadual de Afrodescendentes, lançada pela Secretaria no âmbito da Década Internacional instituída pelas Nações Unidas.

Entre os projetos desenvolvidos pela Secretaria, estão a criação do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela e a implementação do Estatuto da Igualdade Racial. “O trabalho em rede que o Estado tem está na mesma ordem de prioridade do Fundo de População”, afirmou Barbosa.

Apoio técnico do UNFPA deve auxiliar implementação de projetos da Bahia e de Salvador voltados para a juventude

O representante do UNFPA também se encontrou com o chefe de Gabinete da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia, Kívio Dias.

“Temos o mesmo olhar sobre juventude, de enfoque na participação, nos direitos humanos e no empoderamento dos e das jovens, para que (eles) tenham habilidades para desenvolver suas vidas como cidadãos”, afirmou Nadal.

Dias ressaltou que a reunião com o representante do UNFPA serviu para “estreitar as relações para a futura elaboração de um projeto, onde será possível absorver todo o conhecimento técnico e expertise do Fundo, no sentido de construir algumas políticas dentro da Secretaria”.

Nadal também se reuniu com a diretora adjunta da Fundação estadual da Criança e do Adolescente (FUNDAC), Fabia Burity. O UNFPA possui um histórico de parcerias com o órgão, como o projeto “Promovendo Direitos de Jovens: Cultura e Saúde Sexual e reprodutiva em Salvador”, desenvolvido em 2010 e 2011.

Durante a reunião, a agência da ONU e a Fundação se comprometeram a traçar estratégias de cooperação que possam fortalecer as fases das medidas socioeducativas, com foco nos jovens como sujeitos de direitos, mas também nas suas famílias e nos profissionais da FUNDAC.

Ainda na semana passada, o representante do UNFPA se encontrou com a vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento.

Nadal reiterou o interesse em renovar a parceria com a prefeitura e ressaltou que o desenvolvimento de estratégias a nível municipal poderá ser beneficiado pela perspectiva nacional trazida pelo trabalho do UNFPA. Atualmente, a agência das Nações Unidas está elaborando um novo programa para o Brasil.

O projeto “OJÚ OMO – Olhar da Juventude”, coordenado pelo UNFPA e pela Coordenadoria Ecumênica de Serviços, foi citado por Nadal como exemplo de um bom instrumento para orientar as políticas voltadas “para a construção de habilidades para a vida de jovens soteropolitanos”.

Sacramento enfatizou a importância do UNFPA como uma referência no campo de políticas públicas para a juventude e mencionou o mapeamento realizado pelo organismo, chamado “Juventude e Políticas Públicas em Salvador – Bahia” como “um case de sucesso”, que contribui nas suas tomadas de decisão, considerado público prioritário na atual gestão do Município.

A vice-prefeita reafirmou o interesse do governo da cidade em continuar a parceria com o UNFPA que, segundo ela, é “frutífera para a ONU e para Salvador”.