UNICEF: 59 crianças palestinas foram mortas por ataques a Gaza; 38 tinham 12 anos ou menos

Sistema de água e saneamento está severamente danificado, deixando mais de 900 mil sem os serviços. Para piorar, três funcionários que faziam reparos foram assassinados pelos bombardeios de Israel enquanto trabalhavam.

Sistema de água e saneamento está severamente danificado, deixando mais de 900 mil sem os serviços. Para piorar, três funcionários que faziam reparos foram assassinados pelos bombardeios de Israel enquanto trabalhavam.

Duas meninas em Gaza no dia 14 de julho. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Duas meninas em Gaza no dia 14 de julho. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Desde 8 de julho, pelo menos 59 crianças palestinas foram mortas como resultado de ataques aéreos e bombardeios do governo de Israel contra Gaza; 38 delas tinham 12 anos ou menos.

A informação foi divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que acrescentou que, entre 8 e 16 de julho, pelo menos 521 crianças foram feridas em Gaza, com quatro crianças feridas em Israel e nenhuma vítima fatal israelense.

“O UNICEF reitera o seu apelo a todas as partes a exercer urgentemente a máxima contenção para a proteção de civis – não só para o bem da paz, mas por causa das crianças que sofrem o pior dessa violência atual”, disse a agência da ONU por meio de um comunicado.

A equipe do UNICEF no terreno realizou visitas curtas de campo, por dois dias, antes da ofensiva terrestre do governo de Israel que teve início nesta quinta-feira (17). Segundo a agência, seus funcionários estão avaliando as necessidades nos hospitais e visitando as instalações de água e saneamento danificadas pelos ataques aéreos, bem como algumas escolas. Desde o início da emergência, 81 escolas sofreram danos e exigem reparos.

Pelo menos dez centros médicos também sofreram danos. No total, 50 itens de medicamentos essenciais e 20 descartáveis são urgentemente necessários em hospitais de Gaza, bem como combustível para sustentar os sistemas hospitalares. O UNICEF está fornecendo medicamentos pediátricos essenciais.

Danos relacionados com o ataque aéreo às tubulações de água e poços, estações de bombeamento de esgoto e estações de tratamento, bem como linhas de força, têm agravado ainda mais o sistema de água e saneamento já sobrecarregado em Gaza.

Estima-se que apenas 50% dos sistemas de tratamento de água, de bombeamento de esgoto e de resíduos ainda operam em Gaza. Por conta disso, 900 mil pessoas estão atualmente sem abastecimento de água devido à incapacidade de reparar e operar a infraestrutura. A agência afirmou que 3 técnicos municipais foram mortos em serviço nos ataques aéreos.

Outras 800 mil pessoas são afetadas pela potencial contaminação de esgoto do sistema de água, por conta dos danos às tubulações. Esta situação representa um risco público significativo de doenças transmitidas pela água, alertou o UNICEF.

“O UNICEF está se preparando para realizar avaliações humanitárias rápidas assim que a situação de segurança permitir, para lançar a nossa resposta humanitária”, disse a agência da ONU por meio de um comunicado.

Antes mesmo da investida militar terrestre a Gaza, o número de mortos já ultrapassava a casa dos 230, com quase 2 mil casas destruídas e mais de 23 mil pessoas deslocadas.

Acesse outras informações em www.onu.org.br/especial/gaza