De acordo com testemunhas, as crianças estão sendo vítimas e autores da violência recente no estado de Unity; cerca de 13 mil crianças já foram recrutadas por ambos os lados do conflito.

Mulheres e crianças têm sofrido ataques devastadores no estado de Unity no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Sebastian Rich
Quase dois anos desde o inicio do conflito no Sudão do Sul, a situação continua a se deteriorar com mulheres e crianças pequenas entre a maioria das mais das recentes vítimas, declarou nesta terça-feira (19) um representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no país.
“Ter como alvo as crianças, de forma deliberada, nestes ataques é um ultraje”, disse Jonathan Veitch em comunicado emitido pelo UNICEF. “Para as crianças serem protegidas contra mais danos, a interrupção imediata das hostilidades é urgentemente necessária, junto com o pleno acesso dos trabalhadores humanitários”, adicionou ao ressaltar que uma investigação urgente e minuciosa também é necessária para identificar os responsáveis por estas últimas atrocidades contra crianças.
De acordo com dezenas de testemunhos de pessoas que fugiram de aldeias em chamas, as crianças têm sido as vítimas e autores da violência recente no estado de Unity, com homens armados e meninos em trajes civis e militares responsáveis pela destruição generalizada da vida e da propriedade.
O UNICEF disse que, segundo relatos, os ataques foram realizados por grupos armados alinhados ao Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA). O recrutamento de quase 13 mil crianças para uso em suas filas por ambos os lados do conflito é um fato sem precedentes, afirmou o representante.
O Sudão do Sul mostrava avanços na liberação de crianças-soldado nos últimos meses. Por isso, o atual ataque contra crianças continua sem explicações claras. Segundo alguns combatentes, matar as crianças agora é melhor que deixá-las crescer e que se vinguem em um futuro.