UNICEF alerta: crescem taxas de cólera e diarreia no Sudão, Sudão do Sul, Somália e Iêmen

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou que acesso, recursos e segurança são urgentemente necessários para garantir assistência humanitária a milhares de crianças que sofrem com cólera e diarreia em Iêmen, Sudão, Sudão do Sul e Somália.

O quadro se agrava com as taxas crescentes de desnutrição nesses países, que “podem ser mortais para as crianças”, afirmou o porta-voz da agência da ONU, Christophe Boulierac, em uma reunião com a imprensa em Genebra.

Dois meninos, um de 16 anos e outro de 12, coletam água de uma tubulação danificada nos arredores de Juba, Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Hatcher-Moore

Dois meninos, um de 16 anos e outro de 12, coletam água de uma tubulação danificada nos arredores de Juba, Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Hatcher-Moore

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou na terça-feira (4) que acesso, recursos e segurança são urgentemente necessários para garantir assistência humanitária a milhares de crianças que sofrem com cólera e diarreia em Iêmen, Sudão, Sudão do Sul e Somália.

O quadro se agrava com as taxas crescentes de desnutrição nesses países, que “podem ser mortais para as crianças”, afirmou o porta-voz da agência da ONU, Christophe Boulierac, em uma reunião com a imprensa em Genebra.

De acordo com o porta-voz do UNICEF, o Iêmen tem, atualmente, a pior epidemia de cólera do mundo, com mais de 26 mil casos suspeitos e mais de 1,6 mil mortes. Metade desses casos e um quarto das mortes são de crianças.

A situação no Sudão do Sul é igualmente preocupante. A presente epidemia de cólera no país, iniciada em junho do ano passado, durou a estação seca inteira pela primeira vez. Há temores de que ela piore enquanto a estação chuvosa progride. Cerca de 6.870 casos suspeitos de cólera foram reportados no Sudão do Sul neste ano, informou Boulierac, notando que as crianças e adolescentes registrados estão em torno de 51%. Além disso, cerca de 1,1 milhão estão desnutridos no país, enquanto 290 mil crianças sofrem com desnutrição severa.

Na Somália, há cerca de 53 mil casos de cólera (três vezes mais que no ano passado e dez vezes mais do que em 2015), e 1,4 milhão de crianças estão desnutridas, sendo que 275 mil de forma severa, acrescentou o porta-voz da ONU.

Além disso, no Sudão, 20 mil pessoas sofrem com a diarreia, que já matou mais de 400 no país. “Mais de 20% da população afetada são crianças”, afirmou Boulierac.

Resposta em meio a situações desafiadoras

Em resposta à crise, as agências da ONU, incluindo o UNICEF e parceiros humanitários, aumentaram seus esforços, mas ainda enfrentam desafios consideráveis.

No Iêmen, o UNICEF entregou um total de 36 toneladas de medicamentos e materiais para purificação da água a bordo de aeronaves fretadas. Entretanto, com o acesso limitado e o sistema de saúde nacional devastado pelo conflito, ainda há muita dificuldade para alcançar aqueles que mais precisam.

Do mesmo modo, o acesso tem sido o maior obstáculo no Sudão, onde nas áreas mais afetadas enfrentam falta de água potável e de saneamento adequado. No país, o UNICEF necessita urgentemente de 22 milhões de dólares para salvar mais de 100 mil crianças.

Como parte de seus programas, o UNICEF, juntamente com seus parceiros, fornece tratamento terapêutico e alimentos vitais à 200 mil crianças com desnutrição severa no Sudão do Sul, outras 200 mil na Somália e 320 mil no Iêmen.

A agência da ONU também está restaurando e equipando instalações de saúde, fornecendo tratamento médico e nutricional, desenvolvendo tubulações e proporcionando água limpa e segura para crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.