UNICEF: ciclones e violência ameaçam 720 mil crianças rohingya

Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) fez um alerta para a situação de 720 mil crianças rohingya que vivem ameaçadas pela violência em Mianmar e por ciclones em Bangladesh, o país vizinho para onde fugiram; outras 185 mil crianças ainda vivem no estado de Rakhine, em Mianmar, com medo da violência.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) fez um alerta para a situação de 720 mil crianças rohingya que vivem ameaçadas pela violência em Mianmar e por ciclones em Bangladesh, o país vizinho para onde fugiram.

Em relatório divulgado em fevereiro, o UNICEF lembra que começou há seis meses a última leva de refugiados da violência em Mianmar. Com a época de ciclones e cheia no país vizinho, as condições sanitárias dos acampamentos podem piorar levando a um aumento no número de doenças e ao fechamento de escolas e hospitais.

O diretor de Programas de Emergência da agência da ONU, Manuel Fontaine, disse que estas crianças “estão essencialmente encurraladas – seja pela violência dentro de Mianmar ou por estarem abandonadas em campos com excesso de lotação em Bangladesh porque não podem regressar a casa”.

Segundo o relatório, 185 mil crianças ainda vivem no estado de Rakhine, em Mianmar, com medo da violência que obrigou esta população a deixar o país. Em Bangladesh, vivem 534 mil destas crianças.

O relatório conclui que apenas o reconhecimento dos direitos básicos deste povo pode criar as condições necessárias para o regresso às suas casas.

Fontaine acredita que “as pessoas não irão para casa se a sua segurança não estiver garantida, se não tiverem cidadania, se não puderem enviar as suas crianças para a escola para terem um futuro melhor”.

A falta de acesso a muitas partes do estado de Rakhine tem dificultado o trabalho da agência da ONU e de outras organizações humanitárias. O UNICEF diz que “o acesso imediato e sem restrições a todas as crianças é imperativo”.

Ainda assim, os esforços de ajuda têm evitado o desastre. O UNICEF tem ajudado a construir poços de água, instalando milhares de latrinas e realizando campanhas de imunização para proteger as crianças contra cólera, sarampo e outras doenças.

Fontaine acredita que esta “é uma crise sem solução fácil e que pode demorar anos para ser resolvida se não houver um esforço conjunto para eliminar as suas causas”.

(com ONU News, de Nova Iorque)