UNICEF: El Niño deixa 11 milhões de crianças em risco na África e agrava seca em outros continentes

Fenômeno climático também afeta América Central, onde mais de 2 milhões de pessoas vão precisar de assistência alimentar devido a secas prolongadas e perdas nas safras.

Plantação na Guatemala, país que enfrenta secas pelo segundo ano seguido. Foto: Banco Mundial / Maria Fleischmann

Plantação na Guatemala, país que enfrenta estiagem pelo segundo ano seguido. Foto: Banco Mundial / Maria Fleischmann

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou nesta terça-feira (10) que cerca de 11 milhões de crianças na África oriental e meridional correm o risco de serem gravemente afetadas pelas consequências do El Niño. Secas e enchentes são alguns dos efeitos do fenômeno climático, que atinge também outras partes do mundo, como a Ásia, a América Latina e as ilhas do Pacífico.

Uma das preocupações da agência da ONU é com as secas, que têm destruído plantações e gerado insegurança alimentar.

O UNICEF estima que, na Somália, mais de 3 milhões de pessoas precisem de auxílio por conta de perdas nas safras e da escassez de chuvas. A Etiópia enfrenta, atualmente, a pior seca dos últimos 30 anos, o que já deixou 8,2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. No país, 350 mil crianças precisariam de assistência nutricional.

“As consequências podem estender-se por gerações a não ser que as comunidades afetadas recebam apoio em meio às perdas das safras e à falta de acesso à água potável que estão deixando as crianças mal nutridas e em risco de doenças fatais”, afirmou o UNICEF. A agência também destacou que a subnutrição pode causar nanismo e atrasos no desenvolvimento mental dos jovens.

Na América Central, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) destacou que os países que integram o Corredor Seco (Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua) passam pelo segundo ano seguido de estiagem. No início da primeira estação de plantio, em abril de 2015, mais de 65% das famílias não possuíam estoques de alimentos em função das quedas na produção de 2014.

O PMA estima que 2,3 milhões de pessoas vão precisar de assistência alimentar na região. É provável que o El Niño continue afetando a área em dezembro e até o início de 2016. Para garantir a prestação de auxílio às populações do Corredor Seco, serão necessários 75 milhões em verba. Na América Latina, Peru e Equador reúnem mais de 2,5 milhões pessoas que podem ser afetadas pelas consequências do fenômeno climático.

Em outras partes do mundo, como as ilhas do Pacífico, onde o El Niño tem provocado o aumento do volume de chuvas, tempestades e ciclones, as crianças estão mais vulneráveis a doenças como malária, dengue, cólera e diarreia, segundo o UNICEF. Enchentes e alagamentos favorecem a proliferação dos vetores dessas infecções, além de também causarem a escassez de alimentos e água potável.