UNICEF intensifica ajuda para evitar segunda onda de mortes por doenças no Chifre da África

Temporada de chuva traz alívio para áreas afetadas pela seca, mas também dificulta ajuda humanitária e aumenta risco de surtos de doenças como sarampo, cólera e malária.

Cem dias depois de a epidemia de fome ser declarada em partes do sul da Somália, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e seus parceiros estão fazendo o máximo, num contexto de conflito, para evitar uma segunda e potencialmente mais devastadora onda de mortes por doenças.

“As chuvas atuais estão trazendo algum alívio para as áreas afetadas pela seca na Somália e nos países vizinhos. No entanto, as chuvas também aumentam o risco de surtos de doenças e dificultam a distribuição de ajuda”, disse o Diretor Regional do UNICEF para a África Oriental e Meridional, Elhadj As Sy.

Em Mogadíscio, uma campanha de vacinação contra o sarampo, apoiada pelo UNICEF e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), vai vacinar 750 mil crianças entre 6 meses e 15 anos de idade. Desde que a epidemia de fome foi declarada em julho, mais de um milhão de crianças foram vacinadas contra o sarampo na Somália.

As crianças gravemente desnutridas têm nove vezes mais chance de morrer de doenças infecciosas como sarampo, cólera e malária do que crianças saudáveis. Os casos de sarampo aumentaram dramaticamente neste ano – em julho, quando se declarou pela primeira vez a epidemia de fome, houve sete vezes mais casos de sarampo do que no mesmo mês em 2010.

Grande número de pessoas desabrigadas, campos de deslocados extremamente superlotados e serviços de água e saneamento deficientes são os maiores riscos. O princípio da temporada de chuvas eleva o número de pessoas que sofrem de doenças transmitidas pela água, como diarreia aguda e malária. O número de pessoas doentes no vizinho Quênia também é alto, onde há um surto de dengue.