Novos dados indicam que crianças já somam mais de um terço dos refugiados e migrantes chegando à Europa. Temperaturas baixas, neve, falta de vestimentas adequadas e de aquecimento agravam o cenário.

Crianças no campo de Khanke perto da cidade de Dohuk, Iraque, com casas de Yazidis depois de terem fugido do Estado Islâmico. Foto: UNAMI
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) expressou preocupação, nesta terça-feira (19), quanto à situação das crianças refugiadas em meio ao rigoroso inverno da Europa. Segundo informações da agência, jovens já somam mais de um terço do total de deslocados que chegam ao continente. Neve e temperaturas abaixo de zero podem agravar complicações para a saúde já enfrentadas por bebês e crianças, como a má nutrição.
De acordo com o porta-voz do UNICEF, Christophe Boulierac, o inverno tem agravado a má condição física dos jovens refugiados. O representante da agência lembrou que as crianças que chegam à Europa estão “esgotadas, assustadas, aflitas e, frequentemente, precisam de assistência médica”. Após entrarem no continente europeu, muitas não têm acesso a vestimentas adequadas, à alimentação apropriada para suas respectivas idades, nem a abrigos e a calefação própria em alguns centros de recepção. A falta de aquecimento também é um problema em ônibus e trens.
De acordo com a coordenadora especial do UNICEF para a crise de refugiados e migrantes no continente, Marie-Pierre Poirier, as crianças são particularmente suscetíveis a infecções respiratórias, problemas digestivos e diarreia. Nos últimos três meses, a agência e seus parceiros conseguiram oferecer atendimento a 81 mil crianças na Macedônia, na Sérvia, e na Croácia. Cerca de 18 mil bebês e recém-nascidos receberam serviços especializados.
Poirier alertou para a necessidade de fortalecer o acompanhamento de casos vulneráveis e o atendimento às populações em movimento. A coordenadora também destacou que o uso descontrolado de fórmulas para bebês pode trazer riscos à saúde das crianças.
Ao final de 2015, a proporção de jovens entre os refugiados e migrantes continuou a aumentar. Segundo fontes nacionais da Macedônia, em dezembro de 2015, 37% dos deslocados no país eram crianças. Em setembro, o índice registrado foi de 23%. Na Sérvia, os valores verificados para dezembro e setembro eram de 36 e 27%, respectivamente. Números anteriores indicavam que, dos mais de um milhão de deslocados que chegaram à Europa, cerca de 253,7 mil, ou aproximadamente um quarto, eram jovens.