Segundo pesquisa da agência da ONU, 67% das meninas e mulheres e 63% dos meninos e homens que vivem nos países onde a mutilação genital feminina é comum querem o fim do procedimento em suas comunidades. Em alguns casos, há mais homens contra a prática do que mulheres.

Mulheres quenianas participam de discussões públicas sobre mutilação genital feminina – Foto: UNICEF/ Samuel Leadismo
Pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aponta que 67% das meninas e mulheres e 63% dos meninos e homens nos países onde a mutilação genital feminina é comum – o equivalente a dois terço dessa população – querem o fim do procedimento em suas comunidades.
Atualmente, pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres de 30 países foram submetidas à circuncisão feminina – procedimento que pode causar dor física e psicológica extremas, além de sangramento prolongado, HIV, infertilidade e morte.
O estudo aponta que em alguns países os homens se opõem mais fortemente do que as mulheres . Na Guiné – onde há a segunda maior prevalência da circuncisão feminina no mundo – 38% dos homens e meninos são contra a prática, contra 21% das mulheres e meninas. O mesmo padrão é visto em Serra Leoa, onde 40% dos meninos e homens querem o fim do procedimento, contra 23% das meninas e mulheres.
“Embora a mutilação genital feminina esteja associada à discriminação de gênero, os nossos resultados mostram que a maioria dos meninos e homens é realmente contra”, disse Francesca Moneti, especialista sênior em proteção infantil do UNICEF.
“Infelizmente, as pessoas escondem o desejo de acabar com a mutilação genital feminina, e muitas mulheres e homens ainda acreditam que a prática é necessária para que eles possam ser aceitos em suas comunidades”, acrescentou a especialista.
A pesquisa do UNICEF também mostrou uma possível ligação entre a educação da mãe e a probabilidade da filha ser submetida à circuncisão. Entre 28 países com dados disponíveis, cerca de uma em cada cinco filhas de mulheres sem instrução sofreu mutilação genital feminina, em comparação com uma em cada nove filhas de mães que têm pelo menos o ensino secundário.
Em 2015, Gâmbia e Nigéria, países da África Ocidental, adotaram legislação que criminaliza a prática. Nos 16 países onde dados são disponíveis, mais de 1.900 mil comunidades, abrangendo uma população estimada em 5 milhões de pessoas, fizeram declarações públicas pedindo o fim da circuncisão feminina.
Entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), um está relacionado ao tema: a meta 5.3 pede a eliminação de todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e de crianças e a mutilações genitais femininas.