Agência acredita que o aumento da violência vai ampliar o número de crianças mal nutridas e informou que somente oito dos 15 centros de nutrição da capital Bangui estão funcionando.

Centro-africanos vivendo em tendas que a agência da ONU para os refugiados (ACNUR) montou no aeroporto da capital do país. Foto: ACNUR / S. Phelps
As Nações Unidas alertaram na última quinta-feira (26) que o aumento da violência na República Centro-Africana (RCA) pode aumentar a quantidade de crianças que sofrem de desnutrição grave, ampliando o risco de vida de uma população já vulnerável.
Antes da violência eclodir no início deste mês na capital, Bangui, quase mil crianças estavam sendo tratadas de desnutrição aguda grave no país. Agora, apenas oito dos 15 centros de nutrição da cidade estão operando, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Enquanto mais de 400 crianças já retomaram o tratamento contra a desnutrição aguda grave, o UNICEF espera, nas próximas semanas, um aumento significativo no número de admissões nos centros de nutrição.
O país vive uma situação caótica desde que os rebeldes, principalmente do grupo muçulmano Séléka, lançaram ataques contra o governo há um ano e forçaram a fuga do presidente François Bonzizé em março.
Um governo de transição foi encarregado de restaurar a paz e abrir o caminho para eleições democráticas, mas o movimento cristão anti-Balaka pegou em armas e confrontos entre representantes das duas religiões eclodiram em Bangui no início deste mês.
“Nós passamos pelo que poderíamos chamar de um Natal dramático com uma enorme quantidade de violência na cidade. Violência em primeiro lugar contra os soldados enviados pelo Conselho de Segurança (da ONU), violência entre as comunidades e violência entre elementos armados das duas facções. E isso, infelizmente, tem levado a uma enorme perda de vidas e sofrimento”, disse o representante especial do secretário-geral da ONU para o país, Babacar Gaye.
Ele acrescentou que a Missão de Suporte Internacional, uma força de paz da União Africana (UA) conhecida por sua sigla francesa MISCA, e tropas da França estão tentando estabilizar a situação na capital.
Mais de 40% da população rural do país precisa de ajuda
A violência recente deslocou em torno de 639 mil pessoas no interior do país, afirmou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Já a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) disse que cerca de 1,3 milhão de centro-africanos – mais de 40% da população rural do país – precisa de ajuda urgente.
Até agora, em dezembro, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e seus parceiros distribuíram cerca de 500 toneladas de alimentos para mais de 118 mil pessoas em Bangui. A agência está ampliando sua resposta de emergência para ajudar mais de 1 milhão de pessoas ao longo dos próximos seis meses.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou um comunicado através de seu porta-voz na quinta-feira (26) pedindo que as autoridades da República Centro-Africana cumpram as suas responsabilidades para conter aqueles que “fomentam e perpetram” a violência. Ele alertou que os autores dos atos violentos serão punidos.
Ban acrescentou que a urgência neste momento é fornecer segurança e proteção para a população civil, facilitar a assistência humanitária e criar as condições para um retorno à ordem constitucional.