UNICEF precisa de 124 milhões de dólares para ações de saneamento e água potável na região da Síria

Disponibilidade de água potável foi reduzida a um terço da existente antes da crise. Sistemas de esgoto estão danificados ou sobrecarregados pelo aumento das populações deslocadas.

Crianças sírias deslocadas brincam entre as tendas no Campo para Refugiados de Domiz. Foto: ACNUR/B.Sokol

Crianças sírias deslocadas brincam entre as tendas no Campo para Refugiados de Domiz. Foto: ACNUR/B.Sokol

Temperaturas elevadas, superlotação e a degradação de higiene estão entre as ameaças mais recentes enfrentadas pelas crianças sírias, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ressaltando a necessidade de fornecer água de maneira sustentável, saneamento e higiene para cerca de 4 milhões de jovens afetados pelo conflito.

O órgão adverte que as restrições de financiamento continuam a ser um problema. “Prestação de serviços de água, saneamento e higiene para as pessoas afetadas por esta crise é a nossa operação mais cara – e uma das que recebe menor financiamento”, disse na sexta-feira (21) a diretora regional do UNICEF para o Oriente Médio e Norte da África, Maria Calivis. O UNICEF precisa de mais de 200 milhões de dólares para seus programas de água, saneamento e higiene na Síria, Líbano, Jordânia e Iraque até o fim do ano. Atualmente, há um déficit de 124 milhões.

“Sem água potável suficiente e saneamento, aumenta a probabilidade de que as crianças na Síria e aqueles que vivem como refugiadas na região adoeçam”, destacou Calivis.

Na Síria, a disponibilidade de água potável é de um terço da existente antes da crise. Muitos dos civis deslocados pelo conflito vivem em abrigos superlotados com acesso insuficiente a banheiros e chuveiros. Os sistemas de esgoto estão danificados ou sobrecarregados pelo aumento das populações deslocadas, afirmou o Fundo em comunicado.

Cerca de 6,8 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária como resultado dos combates entre o exército sírio e as forças de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad. A crise, que começou em março de 2011, já provocou a morte de mais de 93 mil vidas e forçou a fuga de mais de 1,6 milhão de pessoas para países vizinhos.

Por uma solução política e pacífica
A Rússia, os Estados Unidos e as Nações Unidas se reúnem nesta terça-feira (25) em Genebra, na Suíça, para continuar as discussões a respeito de uma conferência internacional sobre a Síria para buscar solução política para a crise.

A delegação da ONU é chefiada pelo representante especial conjunto para a Síria, Lakhdar Brahimi, que no início deste mês, destacou que uma solução política é a única maneira de resolver a crise. “A catástrofe atual é alarmante”, afirmou. “Essa tragédia tem que chegar a um fim, para o bem da Síria e seu povo.”

“A Síria está em queda livre”, disse o presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria comandada pela ONU, Paulo Sérgio Pinheiro, a repórteres em Nova York, Estados Unidos, depois de instruir membros do Conselho de Segurança sobre o último relatório da Comissão. “Crimes que chocam a consciência tornaram-se uma realidade diária na Síria. A humanidade tem sido a vítima desta guerra. Este é o preço do fracasso coletivo internacional para acabar com esse conflito.”

A entrega de armas, acrescentou Pinheiro, só vai aprofundar o conflito e afastar as partes envolvidas cada vez mais da mesa de negociação. “Essas armas contribuirão para o aumento de crimes de guerra e brutas violações dos direitos humanos”, alertou, acrescentando que não existe solução militar para a crise.