Pacote de assistência às crianças sírias vai levar roupas, cobertores e aquecedores para famílias na Síria e em países vizinhos. Ataques aéreos a estruturas civis têm colocado população em risco.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou, nesta terça-feira (8), que lançará um pacote de assistência para atender a 2,6 milhões de crianças sírias afetadas pelo conflito no país. O plano da agência da ONU pretende levar mais auxílio para os jovens, que devem enfrentar riscos ainda maiores com a chegada do inverno na região, onde são esperadas temperaturas de até -13ºC em áreas montanhosas, além de tempestades e nevascas, durante os meses de dezembro e janeiro.
Na Síria, mais de 3 milhões de crianças são consideradas internamente deslocadas. Na Turquia, no Líbano, na Jordânia, no Iraque e no Egito, estima-se que 2,2 milhões de jovens vivam como refugiados. Durante o inverno, essa faixa etária da população ‘’possui um maior risco de desenvolver infecções respiratórias no clima frio e, tragicamente, ela também corre perigo quando as famílias queimam plástico ou outros materiais tóxicos dentro de abrigos para se aquecerem”, explicou o diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e o Norte da África, Peter Salama.
De acordo com a agência da ONU, os recursos financeiros das famílias afetadas pelo conflito estão esgotados após cinco anos de crise na Síria, o que dificulta a compra de casacos e vestimentas adequadas para o inverno. A agência da ONU vai priorizar populações internamente deslocadas ou em áreas de difícil acesso.
O pacote do UNICEF incluirá a distribuição de roupas, cobertores e aquecedores escolares para até um milhão de crianças dentro do país. O programa também vai contar com o fornecimento de cupons que permitirão às famílias adquirir os bens necessários para suportar a estação. Outros 100 mil jovens devem ser assistidos por iniciativas da Jordânia e da Turquia na fronteira do país. A transferência de dinheiro e renda é o mecanismo central de resposta da agência da ONU ao inverno nessas duas nações e também no Líbano e no Iraque.
Fronteiras abertas
Na véspera do anúncio do UNICEF, na segunda-feira (7), a secretária-geral assistente para Assuntos Humanitários, Kyung-wha Kang, havia expressado sua preocupação quanto aos sírios que fugiam da guerra e permaneciam nos limites do país com a Jordânia.
Durante uma visita de cinco dias à Jordânia e Turquia, a representante do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) pediu mais proteção os civis, vítimas de ataques aéreos recorrentes a instalações médicas e ao restante da infraestrutura civil que permanece operando nas zonas de conflito.
“A violência e a destruição são incessantes, depositando um fardo terrível sobre mulheres e meninas, homens e garotos”, afirmou. Na opinião de Kang, “as partes do conflito demonstram pouca consideração pelas normas básicas da guerra”. Bombardeios aéreos repetidos têm destruído hospitais e matado profissionais de saúde e pacientes.
Ela agradeceu a hospitalidade e generosidade das autoridades e do povo turco e jordaniano, que se referem aos sírios como irmãos e irmãs, e pediu a ambos os países para permanecerem com as fronteiras abertas para todas aquelas famílias que continuam a fugir do conflito.
