UNPOL trabalha na prevenção da violência contra mulheres em campos de deslocados no Haiti

Agressões de parentes e estupros são recorrentes. Reforço no patrulhamento e instalação de iluminação perto das latrinas estão entre as medidas.

Cerca de 500 mil pessoas ainda vivem em campos de deslocados no Haiti, dois anos após o terremoto que matou mais de 220 mil. As mulheres são particularmente vulneráveis porque enfrentam uma onda de violência sexual e doméstica. As condições precárias de vida e a fraqueza das autoridades também dão oportunidades aos criminosos, que ficam impunes.

“Estamos confrontando situações dramáticas nas quais mulheres jovens e até crianças são estupradas em plena luz do dia em suas tendas”, relata a Gerente de Projeto da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Celia Romulus.

Com mais de 50 mil habitantes, Jean Marie Vincent é o maior campo de deslocados em Porto Príncipe, capital do Haiti, localizado perto de Cité Soleil, uma das áreas mais pobres e inseguras da cidade.

Porta-Voz da Polícia das Nações Unidas (UNPOL) no Haiti, Raymond Lamarre descreve as dificuldades: “Os gangsters de Cité Soleil cometem crimes e depois se escondem nos campos de deslocados, onde é mais difícil para nós e para a Polícia Nacional do Haiti (PNH) encontrá-los.” Para dissuadir os criminosos, a UNPOL reforçou as patrulhas e concentra esforços nos perímetros e entradas dos campos.

“Descobrimos que as latrinas são especialmente perigosas para as mulheres à noite. Então decidimos instalar iluminação perto desses lugares onde estupradores ficavam à espreita”, conta Lamarre. Apesar das precauções, a violência ainda é generalizada, com trabalhadores da ONU também sob ameaça.

“Pela primeira vez, a UNPOL foi alvo”, observou Claude Mercier, policial responsável pela investigação de um recente ataque contra boinas azuis. “Na terça-feira (10/01), tiros foram disparados no campo e nós imediatamente deslocamos uma equipe da UNPOL para o local. Um dos policiais foi gravemente ferido e o culpado fugiu. O corpo de um civil foi encontrado não muito longe dali.”

Com dois postos de polícia para cuidar de 50 mil pessoas, os policiais admitem que vai levar tempo para deixar o campo totalmente seguro. A partida anunciada para breve de um grande número de organizações humanitárias e a falta de recursos para a PNH deixam a situação ainda mais frágil. Para Lamarre, uma saída seria estabelecer relação de confiança com os moradores.