Valorizar recursos naturais é essencial para crescimento da economia verde africana, diz ONU

Segundo chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, capital natural, como florestas, água e peixes, pode melhorar o bem-estar humano e reduzir os riscos ambientais.

Família de elefantes no Parque Nacional de Mikumi, na Tanzânia. Foto: ONU

A próxima onda de investimento e inovação na África será impulsionada pela necessidade de novas fontes de energia, geração de riqueza e criação de emprego, afirmou o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, em uma conferência de ministros africanos em Oran, na Argélia, sábado (22).

“Na medida em que o continente continua passando por esse desenvolvimento sem precedentes, a avaliação das riquezas e a valorização dos serviços dos ecossistemas são fundamentais para o crescimento futuro da África”, disse Steiner.

A valorização e a avaliação da natureza não são atividades marginais, frisou o chefe do PNUMA, mas ações necessárias para construir sociedades sustentáveis, justas e prósperas.

De acordo com estimativas recentes do Banco Mundial, o capital natural, que engloba recursos como as árvores, a água e os peixes, são bens essenciais para países de baixa renda e representam 36% de suas riquezas.

“Uma economia verde inclusiva tem o potencial de melhorar o bem-estar humano e a equidade social, reduzindo significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica”, ressaltou Steiner.

Em uma economia verde, o crescimento da renda e do emprego é impulsionado pelo investimento público e privado, que reduz as emissões de carbono e poluição, aumenta a eficiência energéticas e dos recursos e evita a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

“Esses investimentos precisam ser catalisados e apoiados pela despesa pública, pelas reformas políticas e mudanças na regulamentação”, afirmou Steiner para a plateia que incluía o ator Arnold Schwarzenegger, presidente e fundador da organização não governamental “Iniciativa R20”.

A conferência é relevante à medida que o mundo está discutindo uma agenda pós-2015, que determinará metas que substituirão os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A reunião é realizada antes da primeira conferência global sobre as Parcerias para Ações voltadas para a Economia Verde, programada para março nos Emirados Árabes Unidos.

Também no sábado (22), o Fundo Verde para o Clima, um fundo das Nações Unidas destinado a mobilizar recursos para ajudar os países em desenvolvimento a atenuar o impacto do aquecimento global, chegou a um acordo sobre as diretrizes que vão moldar seu trabalho e atividades.

Entre as decisões tomadas na reunião na Indonésia, o Conselho concordou que o Fundo vai procurar um equilíbrio entre a adoção e a mitigação de políticas para o combate às mudanças climáticas; apontar para um piso de 50% da verba para fazer com que os países vulneráveis se adaptem às mudanças, maximizar o envolvimento com o setor privado e definir o seu plano de ação de gênero em outubro de 2014.

O Conselho, composto por 24 membros de países em desenvolvimento e países desenvolvidos, também discutiu como moldar o seu gasto para o desenvolvimento de políticas que aumentem a resistência dos países às mudanças climáticas e ajude a diminuir a emissão de gás carbônico.