Cerca de 100 líderes globais compareceram ao funeral do ex-presidente sul-africano, que faleceu na última quinta-feira (5), para prestar homenagens a uns dos maiores defensores dos direitos humanos.

Crianças sul-africanas escrevem mensagens homenageando seu ex-presidente, Nelson Mandela. Foto: Governo da África do Sul (flickr.com/governmentza)
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, compareceu nesta terça-feira (10) às homenagens a Nelson Mandela, em Joanesburgo (África do Sul), dizendo às dezenas de milhares reunidos no funeral que a vida e o legado do ex-presidente sul-africano são uma inspiração não apenas para seu país, mas para o mundo.
“Este que é o maior de todos os baobás deixou raízes profundas que atingem todo o planeta”, disse Ban, dirigindo-se a uma multidão em meio à chuva, no estádio que recebeu as cerimônias de abertura e encerramento da Copa do Mundo de 2010.
Mandela faleceu na última quinta-feira (5), aos 95 anos de idade. Carinhosamente conhecido como “Madiba”, o defensor dos direitos humanos, prisioneiro de consciência e ganhador do Prêmio Nobel foi o primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul pós-apartheid.
“Nelson Mandela foi mais do que um dos maiores líderes do nosso tempo. Ele foi um dos maiores professores. E ele ensinou pelo exemplo. Ele sacrificava tanto e estava disposto a abrir mão de tudo pela liberdade, igualdade, democracia e justiça”, disse o secretário-geral.
“Sua compaixão se destaca mais. Ele tinha raiva da injustiça, não dos indivíduos. Ele odiava o ódio, não as pessoas capturadas por sua aderência. Ele mostrava o poder incrível do perdão, e de conectar as pessoas umas às outras e o significado verdadeiro da paz. Este foi seu dom único, e foi a lição que ele compartilhou com a humanidade.”
O secretário-geral, que estava entre os cerca de 100 líderes mundiais presentes no funeral, disse que a transformação democrática na África do Sul foi uma vitória por e para os sul-africanos. “Mas também foi um triunfo para os ideais das Nações Unidas e para qualquer um, em qualquer lugar, que já enfrentou o veneno do preconceito”, acrescentou.
“As Nações Unidas estiveram lado a lado com Nelson Mandela e o povo da África do Sul na luta contra o apartheid. Usamos todas as ferramentas que tínhamos: sanções, um embargo de armas, um boicote esportivo, isolamento diplomático. Falamos alto e claro por todo o mundo.”
“O apartheid foi vencido. Mas, como ele seria o primeiro a dizer, nossa luta continua, contra a desigualdade e a intolerância, e pela prosperidade e a paz. Nelson Mandela nos mostrou o caminho com um coração maior do que este estádio e um sorriso contagiante que podia facilmente acender suas luzes. De fato, ele acendeu o mundo… É dever de todos nós que o amamos manter sua memória viva em nossos corações e encarnar seu exemplo em nossas vidas.”