Vídeo de rebelde sírio ‘comendo coração’ de soldado é ‘ato verdadeiramente atroz’, diz Navi Pillay

Após episódio, chefe de direitos humanos da ONU pede novamente que Conselho de Segurança peça investigação de crimes na Síria ao Tribunal Penal Internacional.

Comboio de delegação da ONU em um bairro de Homs no início de maio de 2012. Foto: ONU/N. Kaddoura

Comboio de delegação da ONU em um bairro de Homs no início de maio de 2012. Foto: ONU/N. Kaddoura

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, comentou nesta terça-feira (14) um vídeo que parece mostrar um rebelde sírio cortando e comendo o coração de um soldado morto.

“O vídeo retrata um ato verdadeiramente atroz. Mutilar ou profanar cadáveres durante um conflito é um crime de guerra. Enquanto ainda não é possível autenticar totalmente o vídeo, peço que os grupos de oposição armada na Síria façam tudo ao seu alcance para encerrar tais crimes brutais”, disse Pillay.

“Eles [os grupos da oposição] devem investigar este incidente junto com outras alegadas violações muito graves por combatentes da oposição, incluindo atos de tortura e uma sucessão de aparentes execuções sumárias e assassinatos extrajudiciais”, acrescentou a chefe da ONU na área de direitos humanos.

Segundo relatos da imprensa, a organização norte-americana de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) identificou o rebelde como Abu Sakkar, um conhecido insurgente da cidade de Homs. “Juro por Deus que vou comer seus corações e seus fígados, soldados de Bashar, o cão”, teria afirmado o homem no vídeo junto ao corpo do soldado, se referindo ao presidente sírio, Bashar al-Assad. A veracidade do vídeo não pode ser confirmada de forma independente. O HRW afirmou que Abu Sakkar é o líder do grupo chamado Brigada Independente Omar al-Farouq.

“Eu tenho repetidamente pedido que o caso da Síria seja encaminhado pelo Conselho de Segurança para o Tribunal Penal Internacional, para que os procedimentos legais comecem contra pessoas alegadamente responsáveis por graves crimes internacionais, incluindo crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente de elas estarem do lado do governo ou em oposição a ele”, concluiu Pillay.