No Rio de Janeiro, a peça RJ Refúgio conta com o sírio Hadi Bakkour, de Alepo, e o congolês Tresor Muteba, de Kinshasa, no elenco para abordar os desafios vividos por estrangeiros que fogem de seus países de origem e buscam um novo começo no Brasil. Preconceito e racismo são alguns dos temas das histórias encenadas no palco do SESC de Copacabana.
Em cartaz no SESC de Copacabana, no Rio de Janeiro, a peça RJ Refúgio, do grupo Performatron, apresenta histórias de estrangeiros que vieram para o Brasil em busca de segurança e novos começos após fugirem de guerras, desastres naturais e violações dos direitos humanos. No elenco, um sírio e um congolês contam histórias pessoais sobre preconceito e dificuldades de integração no novo país.
Tresor Muteba não fugiu da República Democrática do Congo por causa do conflito civil que assola o país até hoje. Estudante de economia em Kinshasa, capital da nação africana, decidiu vir para a América Latina para estudar teatro.
Atualmente formado em artes cênicas pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Muteba lembra que, em sua terra natal, “não sabia o que era racismo” e alerta que, no Brasil, o preconceito é perigoso justamente por estar disseminado de forma velada na sociedade.
Já Hadi Bakkour deixou Alepo para não perder a vida na guerra que já dura mais de cinco anos na Síria. No Brasil, conta que já sofreu preconceito e brincadeiras de mau gosto por vir de um país árabe, além de testemunhar o temor de pessoas que achavam que ele era um terrorista.
A peça RJ Refúgio fica em cartaz até 16 de outubro. A obra é fruto de mais de um ano de pesquisas conduzidas por atores brasileiros com refugiados e migrantes que vivem em São Paulo. O grupo Performatron também entrou em contato com pessoas que moram em nações de onde novas levas de estrangeiros têm chegado, como o país de origem de Muteba.