Segundo equipes do ACNUR e do OCHA, que estiveram ao país na semana passada, população sofre tortura, sequestros, saques e tem suas casas queimadas por rebeldes.

Pessoas fogem da República Centro-Africana devido ao aumento do conflito no país. Foto: ACNUR/ Djerassem Mbaiorem
Agências das Nações Unidas soaram o alarme na sexta-feira (6) para o aumento das violações dos direitos humanos na República Centro-Africana, onde aldeias têm sido queimadas e abandonadas e há um deslocamento maciço da população, que sofre torturas e é saqueada.
Membros do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) viajaram na semana passada para a cidade de Paoua, a 500 km da capital, Bangui. Eles encontraram sete aldeias queimadas e abandonadas e moradores se escondendo no mato.
“A população local falou de agressões físicas, extorsão, saques, detenção arbitrária e tortura por homens armados”, disse a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, a jornalistas em Genebra (Suíça).
Os recentes combates pioraram a situação humanitária da região. Atualmente, 1,6 milhão de pessoas precisam de assistência, incluindo alimentos, proteção, cuidados médicos, água, saneamento e abrigo. Fleming disse que o ACNUR registrou mais de 3 mil pessoas deslocadas na região, aumentando para 206 mil o total de deslocados desde dezembro. Dezenas de milhares de pessoas já fugiram para o Chade e Camarões.
A República Centro-Africana é marcada por décadas de instabilidade e lutas. Em dezembro do ano passado, a coalizão Seleka lançou uma série de ataques contra o governo e, apesar de um acordo de paz em janeiro, os rebeldes tomaram a capital Bangui em março e forçaram a fuga do presidente do país, François Bozizé.