Violações dos direitos humanos ameaçam minar progresso na Costa do Marfim, diz especialista da ONU

Doudou Diène também chamou atenção para o risco de “desestabilização profunda e a longo prazo” de todos os países da região como consequência da grave crise no vizinho Mali.

Especialista independente sobre direitos humanos na Costa do Marfim, Doudou Diène. Foto: Jean-Marc Ferré

Especialista independente sobre direitos humanos na Costa do Marfim, Doudou Diène. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O especialista independente das Nações Unidas sobre direitos humanos na Costa do Marfim, Doudou Diène, alertou que o país corre risco de perder ganhos democráticos, econômicos e sociais significativos, caso não dê uma maior ênfase à situação dos direitos humanos.

Ao apresentar o seu último relatório ao Conselho de Direitos Humanos na terça-feira (19), Diène também chamou atenção para o risco de “desestabilização profunda e a longo prazo” de toda a região como consequência da grave crise no vizinho Mali.

“Uma sociedade multicultural, democrática, igualitária e que respeita os direitos humanos é a melhor defesa contra este novo perigo que é alimentado pela intolerância, violência e discriminação”, destacou o Relator Especial, que visitou a Costa do Marfim entre setembro e outubro de 2012.

Uma guerra civil dividiu a nação africana em 2002. Em 2010, a eleição presidencial deveria ser o ponto culminante do processo de paz. No entanto, a recusa do ex-Presidente Laurent Gbagbo em deixar o poder após perder para Alassane Ouattara resultou em meses de violência, até que este finalmente assumisse o cargo, em maio de 2011.

Novos combates ocorreram no ano passado, com uma série de ataques contra as forças de segurança nacionais e no entorno de Abidjan, a capital comercial.

“A luta contra a impunidade está em curso, embora, até agora, continue a ser um processo de mão única que não é justo nem rápido e é, essencialmente, dirigido aos partidários do ex-Presidente Gbagbo”, observou Djène, ao cobrar das autoridades um processo imparcial.

O relator especial acrescentou que a Costa do Marfim não vai superar os desafios internos e externos que enfrenta sem o apoio da comunidade internacional.