Em El Salvador, considerado atualmente o país mais perigoso das Américas, taxa nacional de homicídios chegou a 104 assassinatos a cada 100 mil pessoas – a maior desde a sangrenta guerra civil do país que terminou em 1992. Segundo o ACNUR, a única opção para muitos é fugir.

Uma família que fugiu de gangues de rua em El Salvador agora procura refúgio na Guatemala. Foto: ACNUR/D. Volpe
Depois de sofrer frequentes ameaças por membros de gangues para o pagamento semanal de 30 dólares por sua proteção, quantia que ele mal podia pagar, o motorista salvadorenho Javier apresentou uma queixa à polícia.
Chefe de família e com duas filhas adolescentes, ele se lembra de acordar às três horas da manhã no dia seguinte com um nó no estômago de tanto medo. A caminhada de seis quadras para chegar ao trabalho, na estação central de ônibus em São Salvador, parecia uma eternidade, pois temia uma represália violenta.
“Quando prestei queixa, eles vieram ao meu local de trabalho e atiraram duas vezes próximo ao meu olho”, recorda Javier [nome fictício], segurando as lágrimas de raiva e desespero. “Eu consegui chegar até o hospital, mas quando eu larguei meu emprego, eles me avisaram que para continuar vivo, era melhor eu desaparecer imediatamente.”
O tormento da família ainda não havia terminado. A filha de Javier, em idade escolar, que já havia sido assediada, foi estuprada por um membro da gangue e engravidou. Ela não conseguiria se esconder dos criminosos dentro de El Salvador. “Nós não tivemos outra opção senão fugir. Era impossível ir para qualquer outra parte do país”, diz ele.
Essa família é apenas uma entre um crescente número de pessoas, de diferentes faixas etárias, que está fugindo da violência descontrolada cometida pelas gangues de El Salvador, considerado atualmente o país mais perigoso das Américas.
Desde o término da trégua entre o Governo de El Salvador e os “maras”, como são conhecidas as gangues de rua, em 2014, a violência cresceu abruptamente. A taxa nacional de homicídios chegou a 104 assassinatos a cada 100 mil pessoas – a maior desde a sangrenta guerra civil do país que terminou em 1992.
A família busca agora refúgio na Guatemala, onde atualmente vivem em um quarto individual, na capital. Enquanto isso, Javier continua com medo dos maras, cujo alcance é internacional: “Eu não confio em ninguém”, diz ele. “Eu só confio em Deus e em minhas filhas”.
A fuga motivada pelos atos de violência está se tornando cada vez mais comum em El Salvador, onde as atividades criminosas das quadrilhas incluem assassinatos, extorsões, sequestros, estupros, e agora afetam pessoas de diversas classes sociais. As vítimas são desde crianças em idade escolar e motoristas de ônibus até os empresários, policiais e suas famílias, deixando um número crescente de pessoas sem outra opção senão fugir, segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
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