Violência entre Azerbaijão e região separatista mata mais de 120 pessoas e preocupa chefe da ONU

Confrontos no início do mês reacenderam as tensões entre o Azerbaijão e a região de Nagorno-Karabakh, que recebe apoio da Armênia. Trégua foi acordada em 5 de abril, mas violações do cessar-fogo continuam.

Combatente armênio leva armamento para soldados na região Nagorno-Karabakh. Foto: PanARMENIAN Photo / Vahan Stepanyan (CC)

Combatente armênio leva armamento para soldados na região Nagorno-Karabakh. Foto: PanARMENIAN Photo / Vahan Stepanyan (CC)

Desde o início de abril (2), confrontos entre o Azerbaijão e a região separatista Nagorno-Karabakh – apoiada pela Armênia – reacenderam tensões entre os países e deixaram mais de 120 mortos de ambos os lados. Embora um cessar-fogo facilitado pela Rússia tenha entrado em vigor desde o dia 5, violações da trégua ainda são registradas. A atual conjuntura levou o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon a solicitar a suspensão imediata das agressões.

Nagorno-Karabakh é uma porção do território azerbaijano que abriga uma grande população de pessoas da etnia armênia. O Azerbaijão e a Armênia entraram em confronto direto nos anos 1990.

Movido por disputas étnicas entre os azeris de maioria muçulmana e armênios de maioria cristã, o conflito provocou o deslocamento de milhares de pessoas e deixou cerca de 20 mil mortos. Em 1994, a guerra chegou ao fim, mas um acordo de paz jamais foi firmado. Apenas um cessar-fogo foi acordado. A trégua foi violada anteriormente e está mais uma vez ameaçada.

Segundo a imprensa, as forças apoiadas pela Armênia em Nagorno-Karabakh registraram a morte de 97 soldados, voluntários e civis nos combates recentes, incluindo 77 que foram mortos entre os dias 2 e 5, de acordo com informações do Ministério da Defesa armênio.

Já o Azerbaijão teria perdido 31 soldados e quatro civis no mesmo período. Dados atualizados ainda não foram liberados pelas tropas que estão lutando contra os separatistas.

As baixas de militares e civis devem ser maiores, uma vez que, apesar do cessar-fogo, as forças de Nagorno-Karabakh teriam violado 119 vezes a trégua apenas nas 24 horas após a entrada em vigor da suspensão de hostilidades. Informações de fontes da mídia indicam que tiroteios esporádicos têm ocorrido à noite.

Desde o início da atual onda de violência, o chefe das Nações Unidas pediu a suspensão imediata das hostilidades e medidas para reverter a escalada de violência. Ban Ki-moon disse estar particularmente preocupado com o uso de armamento pesado nos combates.

O secretário-geral destacou a necessidade de as partes do conflito respeitarem plenamente o cessar-fogo que já estava em vigência. Ban Ki-moon reiterou seu apoio aos esforços da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que busca uma solução pacífica e negociada para o imbróglio.