Violência étnica provoca fuga de mais de 2 mil pessoas de Mianmar e Bangladesh só neste ano

Confrontos entre budistas Rakhine e muçulmanos Rohingya já deixaram mais de cem mortos e 115 mil deslocados desde junho do ano passado. Desespero faz famílias recorrerem a barcos de contrabandistas.

Foto: ACNURA violência étnica provocou a fuga de mais de 2 mil pessoas de Mianmar e Bangladesh em barcos clandestinos somente nas duas primeiras semanas do ano, afirmou na sexta-feira (11) o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Estima-se que, em todo o ano passado, 13 mil arriscaram suas vidas nesses meios para entrar na Baía de Bengala.

Muitos dos que recorrem aos barcos de contrabandistas são muçulmanos do estado de Rakhine (Mianmar), bangladeshianos, assim como refugiados que vivem em Bangladesh. A maioria é de homens que viajam sozinhos, mas é crescente o número de mulheres com crianças que se juntam aos passageiros, demonstrando o aumento do desespero e a falta de perspectivas. Pelo menos 485 pessoas morreram ou desapareceram no percurso em 2012.

“Não está claro quantos realmente conseguem chegar a seus destinos finais, onde muitas vezes correm o risco de prisão, detenção e possível expulsão por deportação para Mianmar”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, acrescentando que os destinos mais prováveis são no Sudeste da Ásia.

Desde junho do ano passado, confrontos entre budistas Rakhine e muçulmanos Rohingya deixaram mais de cem mortos e 115 mil deslocados.

Edwards lembrou o “princípio de não devolução” do direito internacional, que protege refugiados da extradição para países onde correm o risco de tortura. Além disso, pediu aos Governos da região que mantenham suas fronteiras abertas e garantam o tratamento humano para as pessoas que procuram asilo.