Consideradas as baixas entre os militares do país, o número de vítimas da violência chegou a 1.119 mortos e 1.561 feridos. Valores representam um aumento considerável em comparação a fevereiro. Bagdá foi a província mais afetada.

Crianças buscam água perto de um campo de deslocados em Garnava, no Iraque. A fuga de regiões violentas expõe civis a diversos riscos, como a falta de alimentos, de água e de cuidado médico. Foto: ACNUR/S. Baldwin
O representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, Ján Kubis, expressou “preocupação extrema” a respeito da violência contínua que afeta a população do país.
Em março, ações terroristas, confrontos armados e outros episódios violentos mataram 1.119 pessoas e feriram mais 1.561. Devido a dificuldades em verificar o número de vítimas, as Nações Unidas consideram que esses valores podem ser mais altos.
Para Kubis, é “totalmente inaceitável que civis tenham de suportar o fardo” dos perigos provocados pelo extremismo e pelos conflitos.
Do total de mortos, 575 eram civis, entre eles, 45 membros da polícia federal, da defesa civil Sahwa, agentes de segurança pessoal, policiais de proteção de instalações e bombeiros. Feridos civis somaram 1.196, dos quais 50 eram integrantes dessas mesmas entidades. “Eu estou extremamente perturbado” pelo atual cenário, lamentou o representante.
Kubis se pronunciou após a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI) divulgar na semana passada os dados sobre as vítimas da violência no país para o mês passado. Os números registraram um aumento significativo em comparação a fevereiro, quando 670 indivíduos foram mortos e 1.290 ficaram feridos. Segundo a UNAMI, a província de Bagdá foi a mais afetada, com 259 mortes e 770 casos de pessoas feridas em março.
A Missão informou ter sido impedida de verificar, efetivamente, a quantidade de vítimas em zonas de conflito, bem como os valores relativos a pessoas que morreram devido a consequências secundárias da violência após abandonarem suas casas.
A exposição à natureza e a falta de água, comida, remédios e cuidado médico estão entre as causas dessas mortes. Por isso, a UNAMI alerta que os números divulgados devem ser vistos como o “mínimo absoluto”, podendo ser maiores.
As mortes entre militares das Forças de Segurança iraquianas – incluindo os Peshmerga, a Equipe de Armas e Táticas Especiais (SWAT) e milícias que lutam ao lado do exército iraquiano, com exceção das Operações de Anbar – somaram 544. Outros 365 ficaram feridos.
“Minha esperança é de que as reformas propostas serão implementadas e levarão a uma eventual normalidade nesse lindo país”, afirmou Kubis.