Secretário-geral Ban Ki-moon pediu às partes interessadas que conduzam as votações de maneira pacífica. O chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, condenou provocações entre comunidades.

Refugiados da República Centro-Africana em Camarões não sabem se poderão votar nas eleições. Foto: IRIN / Monde Kingsle
No sábado (12), véspera de um referendo constitucional que deve marcar a transição da República Centro-Africana para um novo governo, o alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, expressou preocupação quanto à escalada de tensões entre comunidades muçulmanas e cristãs no país. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também se pronunciou a respeito do processo eleitoral e pediu às partes interessadas que garantam que as votações sejam conduzidas de maneira credível e pacífica.
De acordo com Al Hussein, provocações que alimentam tendências sectárias na República Centro-Africana podem agravar a violência entre diferentes grupos religiosos. Ao longo da semana, foram registrados incidentes em Bangui, capital do país, após a liberação de uma lista contendo os nomes dos candidatos elegíveis para as votações presidenciais que ocorrerão no final de dezembro. Desde setembro, uma nova onda de conflitos entre comunidades já deixou 130 pessoas mortas e outras 430 feridas.
As tensões também provocaram um aumento de 18% na quantidade de pessoas internamente deslocadas, que chegaram a 447.500, após um período de relativa calma, ao longo dos primeiros nove meses de 2015, durante os quais muitos cidadãos começaram a voltar para as suas casas. Também foram registrados 11 casos de violência sexual e baseada em gênero, além de ataques contra a equipe da Missão da ONU (MINUSCA) e tropas internacionais.
“Eu também estou profundamente preocupado com o fato de que todos os lados, incluindo as autoridades do mais alto escalão, estejam pedindo para que grupos de justiceiros sejam estabelecidos. A tendência crescente entre cristãos e muçulmanos de se organizarem em grupos de autodefesa e excluírem qualquer pessoa não considerada parte de sua comunidade é profundamente preocupante”, afirmou Al Hussein.
Para Ban Ki-moon, o referendo será um marco significativo rumo ao fim do governo de transição na República Centro-Africana. Para ele, o pleito vai definir “novos fundamentos para um futuro estável para o país e seu povo”. O alto comissário destacou a necessidade de combater a impunidade, que mina a autoridade das instituições do Estado, e reformar o exército nacional, acusado de violações de direitos humanos.