Violência no nordeste do Sudão do Sul força ONU a retirar suas equipes humanitárias

Como consequência, 300 mil civis que necessitam de ajuda de emergência, incluindo alimentos e assistência médica, permanecem desprovidos de qualquer socorro.

Pessoas deslocadas internamente no estado de Unity, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR

Pessoas deslocadas internamente no estado de Unity, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR

A Organização das Nações Unidas e outras agências de ajuda foram obrigadas a retirar suas equipes do nordeste do Sudão do Sul devido a uma onda de sequestros e estupros e um aumento geral da violência de dois condados da região. Como consequência, 300 mil civis que necessitam de ajuda de emergência, incluindo alimentos e assistência médica, permanecem desprovidos de qualquer socorro.

De acordo com fontes ouvidas pela Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), inúmeras cidades e aldeias nos condados de Git e Koch, localizados no estado de Unity, têm sido “queimados” em meio a assassinatos, sequestros de meninos de até 10 anos de idade, estupro e sequestro de meninas e mulheres, e o deslocamento forçado de civis.

“Embora não esteja claro quem cometeu tais atrocidades, é da responsabilidade do governo garantir que todos os civis sejam protegidos, assim como todas as partes de garantir comando apropriado e controle de seus combatentes para evitar a morte de civis”, declarou a UNMISS em comunicado emitido nesta segunda-feira (11).

A Missão acrescentou que tinha “acesso extremamente limitado às áreas afetadas”, além de um comportamento cada vez mais agressivo com o pessoal da ONU por parte de soldados nos postos de controle. Essas atitudes parecem refletir “uma falta de controle por parte das autoridades locais sobre a segurança desses postos”.

“As agências de ajuda estão empenhados em voltar para todas as áreas da unidade sul e continuar as operações de emergência lá assim que for seguro”, declarou o coordenador humanitário para o Sudão do Sul, Toby Lanzer. “Portanto, eu convoco as partes envolvidas no conflito a dar garantias de que o trabalho das agências de ajuda em nome de populações carentes, com base nos princípios de humanidade, imparcialidade e neutralidade, possa continuar sem demora”.