Conselho de Segurança da Organização alerta para nível de violência contra crianças sem precedentes e afirma a necessidade de a comunidade internacional utilizar todos os meios para parar o conflito.

Crianças esperam por água na escola onde estão abrigadas do aumento da violência sectária e brutal na República Centro-Africana. Foto: IRIN/Hannah McNeish
Crianças na República Centro-Africana (RCA) estão sendo vítimas de violência sexual, mutiladas, decapitadas e mortas num nível de violência e brutalidade sem precedentes, alertou o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A representantes especial da ONU para as crianças e o conflito armado, Leila Zerrougui, afirmou na reunião do Conselho que “esta crise está ganhando proporções há mais de um ano e nós temos de recuperar o tempo perdido na prevenção da escalada de violência”.
A representante defende que “a nossa única opção agora é adequar a nossa resposta com ações robustas, imediatas e urgentes”, pedindo à comunidade internacional para “melhorar a coordenação dos seus esforços na RCA”.
Zerrougui também alertou para a necessidade de reforço do Escritório Integrado da ONU para Construção da Paz na RCA (BINUCA), porque atualmente a sua ação é “muito limitada”.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se referiu ao conflito no país como uma “crise de proporções épicas” e anunciou a constituição de uma comissão, pedida pelo Conselho de Segurança, para investigar as violações aos direitos humanos relatadas.
Quase metade do milhão de pessoas que teve de abandonar a sua casa nos últimos 13 meses de conflito são crianças, sendo que 6 mil podem estar sendo usadas por grupos armados em combate.
No total estima-se que muitas pessoas já foram mortas e que 2,2 milhões, cerca de metade da população, precisa de ajuda humanitária.