Violência sexual na República Democrática do Congo cresce de forma alarmante, afirma ACNUR

Somente este ano 705 casos foram registrados na província de Kivu do Norte, incluindo 619 de estupro. No mesmo período de 2012, foram 108.

Com o aumento da violência no leste da RDC, ACNUR alerta para risco que mulheres estão expostas. Foto: ACNUR /F. Noy

O conflito na província de Kivu do Norte na República Democrática do Congo levou a um aumento alarmante nos índices de estupro e violência contra mulheres e meninas na região, alertou a agência da ONU para refugiados nesta terça-feira (30).

“Nossas equipes de monitoramento de proteção registraram 705 casos de violência sexual na região desde janeiro, incluindo 619 casos de estupro”, disse um porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). “Durante o mesmo período em 2012, nossa equipe havia registrado 108 casos. Os sobreviventes de violência sexual e violência baseada em gênero incluem 288 crianças e adolescentes e 43 homens”, acrescentou.

Somente neste mês, os combates entre o Exército e as Forças Aliadas Democráticas – um grupo rebelde baseado em Uganda -, deslocou cerca de 14 mil civis da província de Kivu do Norte. O ressurgimento da violência nas últimas semanas na região pode aumentar o perigo para as mulheres, disse o ACNUR.

Segundo a agência, a maioria dos casos de violência sexual é cometida por homens armados. Dos 705 casos notificados desde o início do ano, 434 foram perpetrados por pessoas armadas. Os números oficiais da ONU também mostram que o número de casos de violência sexual registrados em Kivu do Norte saltou de 4.689 em 2011 para 7.075 em 2012.

A agência da ONU para refugiados informou estar trabalhando em estreita colaboração com outras organizações humanitárias e autoridades locais para responder e fortalecer o monitoramento da violência sexual. O ACNUR ajudou a montar cursos ministrados por dezenas de policiais sobre como evitar a violência sexual e lidar com casos de estupro, além de treinar representantes de centros comunitários e pontos focais para identificar casos de violência sexual e encaminhar as vítimas para cuidados de saúde e apoio psicossocial.