Quando foi forçada a deixar seu bairro na parte ocidental de Mossul, Asmaa Mahmood, de 25 anos, seu marido e suas duas filhas enfrentaram o fogo cruzado entre os militantes em combate. A família acabou sendo capturada e, em seguida, separada. Duas semanas depois de chegar ao campo Hammam Al-Alil, ela soube que seu marido havia sido morto.
Viúvas como Asmaa estão entre as mais de 900 mil pessoas que foram forçadas a fugir desde que as operações militares para a retomada da segunda maior cidade do Iraque tiveram início há nove meses.

Sahar Amar, de 22 anos, e seus filhos Hamood, de 6 anos, Amar, de 3, e Zahra, de 10 meses. Foto: ACNUR/Cengiz Yar
Quando foi forçada a deixar seu bairro na parte ocidental de Mossul, Asmaa Mahmood, de 25 anos, seu marido e suas duas filhas enfrentaram o fogo cruzado entre os militantes em combate. A família acabou sendo capturada e, em seguida, separada.
“Eles levaram meu marido e nós tivemos que seguir em frente”, contou. “Conseguimos escapar, nos escondemos em casas abandonadas até que, por fim, chegamos ao campo”.
Duas semanas depois de chegar ao campo Hammam Al-Alil, ela soube por outros deslocados de Mossul que seu marido havia sido morto. Haviam encontrado seu corpo e o enterraram.
“Eu estava em choque, traumatizada psicologicamente e muito triste”, disse.
Viúvas como Asmaa estão entre as mais de 900 mil pessoas que foram forçadas a fugir desde que as operações militares para a retomada da segunda maior cidade do Iraque tiveram início há nove meses.
Muitos de seus maridos foram assassinados por grupos armados que mantinham a cidade sob seu domínio. Outros foram mortos em ataques aéreos ou por tiros e estilhaços enquanto tentavam cruzar as linhas de frente.
Na maioria dos casos, os maridos eram os únicos provedores da família. Sem receber recursos, e frequentemente tendo que sustentar crianças, as viúvas da guerra de Mossul fazem parte do grupo mais vulnerável entre as pessoas que têm sido forçadas a se deslocar devido aos conflitos que colapsaram a cidade que já teve seus dias de prosperidade.
No campo de Hammam Al-Alil 2, que é administrado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e parceiros, núcleos familiares chefiados por mulheres representam mais de um quarto do total — 1.250 de 4.463 famílias, ou 21.462 pessoas.
Desde que chegou ao campo de refugiados, em abril, Asmaa recebeu colchões, tenda e utensílios de cozinha como parte dos itens distribuídos aos recém-chegados pelo ACNUR. Também foi oferecida assistência legal, como apoio para emissão de documentos perdidos, incluindo um documento de identidade do governo, essencial para receber benefícios e possibilitar a livre circulação.
Assim como muitas outras viúvas, Asmaa preocupa-se com o futuro de seus filhos. Apesar de não ter estudado, ela pretende arrumar um emprego que permita o sustento de sua família.
Em sua tenda, ela conversa ao lado de suas duas filhas, Rimah, de 4 anos, e Bedoor, de 2 anos, que usam o mesmo vestido branco e verde com babados. Asmaa explica que tem que vestir as meninas de forma idêntica para evitar brigas. Mas ela está preocupada com algo mais sério: ainda não contou para as filhas que o pai está morto, um momento que ela adia constantemente.
“Estou exausta de estar sempre preocupada com o futuro das milhas filhas. Não posso contar com o apoio de ninguém”, disse. “Tudo o que mais queria é ser capaz de oferecer boas condições de vida para elas. (…) Quero apenas que elas não se sintam diferentes de outras meninas que têm um pai”.
No início de março, Sahar Amar, de 22 anos, ficou sabendo que a parte ocidental de Mossul estava prestes a ser retomada pelas forças iraquianas. Reuniu seus três filhos de 10 meses, 3 anos e 6 anos e correu em direção a uma estrada onde havia dezenas de corpos empilhados — residentes executados enquanto tentavam fugir.
“Foi um milagre termos sobrevivido. Podíamos ouvir o som das balas passando perto da gente”, disse. Quando chegou ao campo de Hammam Al-Ali 2, recebeu uma tenda, um colchão, cobertores, e kits de cozinha do ACNUR.
Sahar conta que seu marido morreu no ano passado em um acidente de carro que levava militantes. Ele já havia se envolvido com grupos armados, vendendo cigarros contrabandeados. Ela acredita que o incidente não foi acidental. Sahar ficou sabendo da morte do marido poucos dias antes de dar à luz Zahara.
Durante o deslocamento, ela perdeu seu documento nacional de identidade. Seus filhos ainda necessitam de carteiras de identidade e certidões de nascimento, já que os documentos emitidos pelos grupos armados não são mais válidos. O ACNUR está oferecendo assistência às viúvas, assim como aos deslocados internos que estavam vivendo sob o regime extremista, a conseguir os novos papéis.

O marido de Asmaa foi morto recentemente e agora ela está criando as filhas no campo de refugiados. Foto: ACNUR/Cengiz Yar.