Médicos brasileiros acompanharam as primeiras consultas dos profissionais cubanos no município para garantir a sua adaptação à rotina das práticas médicas mais frequentes no país. O Programa Mais Médicos tem apoio da OPAS/OMS no Brasil.
A cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, vem investindo no princípio da atenção básica no atendimento médico, cujo objetivo é promover a atenção continuada à saúde como elemento chave para o desenvolvimento social e econômico da comunidade. Nesse sentido, o Programa Mais Médicos já está trazendo contribuições significativas aos esforços do município, de acordo com a Secretaria de Saúde local.
Localizada a 127 km da capital fluminense, Volta Redonda conta com oito médicos cubanos e uma médica brasileira do quinto ciclo do Programa Mais Médicos do governo federal. O objetivo da iniciativa é suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do país, prioritariamente por médicos brasileiros e, caso ainda assim não sejam preenchidas todas as vagas, por médicos estrangeiros.
A secretária de saúde da cidade, Marta Magalhães, explica que as medidas de atenção básica – que devem estimular o contato consciente e diário dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema de saúde – são muito comuns entre os profissionais cubanos que chegaram ao município, enquanto ainda não ocupam o espaço necessário na prática cotidiana brasileira em geral.
“Nós é que temos que estimular essa cultura na população para que ela entenda que, antes de pensar na doença, deve pensar na saúde. E isso não é uma prática na formação dos nossos médicos. Existe todo um estímulo, a situação melhorou muito, nós temos vários médicos no município que são formados em Saúde da Família e Comunidade, mas ainda é um número muito aquém da necessidade real”, afirma Marta.

Secretaria de Saúde de Volta Redonda acredita que a formação técnica e de reflexão contínua dos profissionais de saúde é fundamental para as melhorias da qualidade no atendimento à população. Foto: OPAS/OMS.
Formação contínua e troca de experiências são prioridades em Volta Redonda
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) acredita que a formação técnica e de reflexão contínua dos profissionais de saúde é fundamental para as melhorias da qualidade no atendimento à população. Por isso, promove encontros e oficinas entre seus funcionários para fomentar discussões que problematizem os métodos de trabalho e a relação entre médico e paciente.
“Os médicos do Programa Mais Médicos estão inseridos e contribuindo muito nessas oficinas, porque eles têm olhar qualificado para atenção básica e excelência nessa área. Eles lidam com dados epidemiológicos como rotina do trabalho deles. E este não é um perfil que você ache facilmente em qualquer profissional na formação existente hoje no Brasil. Porque é a partir dessa informação que o médico cubano conhece e intervém no território. E como eles estão inseridos nessa discussão da formação, esse conteúdo aparece fortemente ao tratar atenção básica. Isso tem nos levado, sim, a repensar práticas”, conta a secretária.
Marta ainda relatou que foi realizado um processo de integração dos novos médicos às unidades de saúde da cidade. Dentre as medidas deste trabalho, por exemplo, esteve o acompanhamento das primeiras consultas dos profissionais cubanos pelos brasileiros, para garantir a sua adaptação à rotina das práticas médicas mais frequentes no país.
Por outro lado, a vinda dos médicos estrangeiros já trouxe inovações que vêm recebendo retorno positivo da população local, como a ampliação do atendimento para crianças e pré-natal dentro da Estratégia de Saúde da Família. “Antes elas só eram atendidas pelos especialistas: pediatra e ginecologista. Mas com essa mudança pudemos ampliar o atendimento, e a população está muito contente com isso”, diz o médico cubano Victor Horta, que chegou à Unidade Básica de Saúde da Família Belo Horizonte Edith Rodrigues de Souza em abril deste ano.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), representação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, e o Ministério de Saúde assinaram um termo de cooperação em agosto de 2013 para colaborar na expansão do acesso da população brasileira à atenção básica de saúde. O termo inclui diversas linhas de ação, que vão desde a documentação e a disseminação de informações ao oferecimento de aconselhamento técnico e de apoio à capacitação e ao treinamento continuado dos médicos selecionados, seguindo as recomendações do Código Global de Práticas em Recrutamento Internacional de Pessoal de Saúde da OMS. A OPAS/OMS também assinou um acordo de cooperação de natureza similar com o Ministério de Saúde Pública de Cuba.