UNICEF se encontrou no dia 21 de julho com crianças refugiadas na escola básica de Hamama, em Gaza, uma escola pública onde as famílias encontraram abrigo.

Foto: Bader, de 12 anos de idade (à esquerda). Testemunhos e fotos: UNICEF/Sajy Elmughanni
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) se encontrou no dia 21 de julho com crianças refugiadas na escola básica de Hamama, na Cidade de Gaza, uma escola pública onde as famílias encontraram abrigo depois de fugirem de combates pesados em Shejaya.
Pelo menos 20 crianças palestinas foram mortas durante os combates naquele bairro, a leste da Cidade de Gaza. Pelo menos 220 crianças foram mortas desde o início das hostilidades – uma média de dez por dia. Quase 170 mil pessoas – ou 9% da população – estão agora refugiadas em escolas localizadas em toda a Faixa de Gaza, com esses números subindo constantemente.
Uma escola administrada pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), cheia de famílias deslocadas, foi atingida por um bombardeio nesta quinta-feira (24).
O secretário-geral das Nações Unidas declarou estar chocado com a notícia do ataque em Beit Hanoun, norte da Faixa de Gaza, onde centenas de pessoas haviam se refugiado. Mulheres, crianças e funcionários da ONU foram mortos.
“Eu estava em casa com a minha família, que estava escondida em um quarto. Ouvimos o impacto dos projéteis perto, o que balançou toda nossa a casa. Estava escuro, não havia eletricidade. A sala iluminou-se toda vez que uma nova explosão acontecia. Eu chorei, minha mãe chorou, todos nós choramos. Esperamos até de manhã e conseguiu escapar. Viemos para esta escola para estar seguros.” – Bader, 12 anos de idade
“Eu não quero voltar para a minha casa. Eu estou com medo. Todos nós fugimos de lá.” – Salsabeel, 10 anos de idade
“Sinto-me seguro nesta escola onde nós nos refugiamos. Nós ouvimos um monte de bombardeios ao nosso arredor, alguns próximos e alguns longe. Mas é melhor do que a minha casa. Eu sinto que se eu voltar para a minha casa, eu vou morrer.” – Qamar, 10 anos de idade
“Nossa casa foi bombardeada enquanto estávamos lá dentro. Fugimos para a casa de meu tio, mas ela também foi bombardeada e então deixamos tudo para atrás e viemos para cá.” – Malak, de 9 anos de idade
“Tenho saudades dos meus amigos do bairro, eu não sei se eles conseguiram escapar, eu não tenho certeza se eles estão vivos ou não. Perguntei ao meu pai sobre eles, mas ele nunca responde. Ele está nervoso e constantemente ouvindo a notícia.” – Anas, 11 anos
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Foto: Bader, de 12 anos de idade (à esquerda). Testemunhos e fotos: UNICEF/Sajy Elmughanni